Resenha de showTítulo: Thaís Gulin
Artista: Thaís Gulin
Local: Cinemathéque Jam Club (RJ)
Data: 25 de abril de 2008
Cotação: * * * 1/2
Os pernambucanos finalizam seu segundo trabalho após tocar em um dos festivais independentes mais importantes do mundo
Fãs do rock: preparem-se. O novo CD da banda pernambucana The River Raid está para sair no mês de junho. Em fase final de mixagem e masterização, traz dez faixas de som pesado, característica da banda, que possui em sua formação três guitarristas. O álbum foi gravado em fita analógica para buscar uma sonoridade mais rock, sem abandonar as linhas dos sintetizadores, nem os beats influenciados pela música eletrônica. O disco é pré-produzido em parceria com Rodrigo Coelho e quem assina a produção é Felipe Tichauer (Red Traxx).
Nascida há dez anos, no auge do movimento Manguebeat, a The River Raid se destaca ao tentar fazer um rock regional sem utilizar instrumentos da cultura local. O resultado desta mistura foi uma série de convites para tocar na gringa, principalmente nos Estados Unidos. A última performance deles na terra do Tio Sam foi no festival South by Southwest (SXSW), em Austin, Texas. O festival contou com apresentações de Juliette Lewis e Ben Harper.
Pelas terras tupiniquins, eles abriram dois shows da banda Paramore. Também estão participando do Levi’s Music, projeto no qual a marca investe em figurino, clipes, gravação e prensagem de CDs dos artistas escolhidos. Para o Levi’s Music a banda acaba de gravar o clipe de 420 Hora Local, música do primeiro CD.
Não deixe de conhecer o som dos caras e aguardar o novo CD. A banda é formada por Guzz (bateria), Ricardo Leão (guitarra, voz), Eduardo Pereira (baixo), Antonio Ferreira (guitarra, voz) e Gilberto Bezerra (guitarra).
Moinho participa de novo projeto de Max Pierre – Um Barzinho, um Violão
Amanhã o Moinho tem compromisso logo cedo. O trio formado por Emanuelle Araujo, Lan Lan e Toni Costa participam da gravação do projeto Um Barzinho, um Violão – Novelas Anos 70, produzido por Max Pierre e com direção musical de Guto Graça Mello. A banda, que lançou seu primeiro álbum no mês passado, grava a musica de Toquinho e Vinicius de Moraes chamada Meu Pai Oxalá. O CD e o DVD captados ao vivo nos dois dias de gravação 12 e 13 de maio) serão lançados no segundo semestre via Universal Music. Está sendo prevista também uma edição em Blu-Ray – o DVD de alta definição – até o fim do ano. Eis as músicas e os intérpretes agendados para os dois dias de gravação do CD e DVD:
Gravação de 12 de maio:
Caetano Veloso Moça (Wando)
Casuarina Meu Drama (Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo) Elba Ramalho – Pombo Correio (Moraes Moreira)
Herbert Vianna Capitão de Indústria (Marcos e Paulo Sérgio Valle)
Jorge Aragão Pecado Capital (Paulinho da Viola)
Jorge Vercillo Fascinação (versão de Armando Louzada)
Luiza Possi Teletema (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar)
Marjorie Estiano Broto Legal (versão de Renato Corte Real)
Mauricio Manieri Coleção (Cassiano e Paulo Zdanowski)
Moinho Meu Pai Oxalá (Toquinho e Vinicius de Moraes)
Papas da Língua Pensando Nela (Dom Beto)
Zeca Pagodinho Martin Cererê (Zé Catimba)
Gravação de 13 de maio:
Celso Fonseca Enrosca (Guilherme Lamounier)
Diogo Nogueira Você Abusou (Antonio Carlos e Jocafi)
Dudu Nobre Malandragem Dela (Tom e Dito)
Fernanda Takai Pavão Misterioso (Ednardo)
Isabella Taviani Um Jeito Estúpido de te Amar (Isolda e Milton Carlos)
Lobão Como Vovó já Dizia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Margareth Menezes Filho da Bahia (Walter Queiroz)
Marina Elali Modinha para Gabriela (Dorival Caymmi)
Paula Toller Sonhos (Peninha)
Pedro Mariano Beijo Partido (Toninho Horta)
Tunai Nuvem Passageira (Hermes Aquino)
Zélia Duncan Paralelas (Belchior)
Emprestado do Blog do Mauro Ferreira:
Resenha de showJá moro em São Paulo há mais de 4 anos. Minha filha nasceu aqui. Mas tem coisas que não me acostumo e não me sinto uma cidadã paulistana. Por exemplo. Não me visto como a maioria da mulherada aqui: jeans justissimo, camiseta colada e scarpins. Sou completamente diferente. Adoro uma camiseta mais soltinha, bermuda e tênis. Ou saia com botas.
Tem algumas coisas que sinto desde que me mudei pra cá. Tenho sempre a sensação de que esqueci algo, de alguma coisa. É uma inquietação estranha. Sempre espero que as coisas se resolvam. Depois que eu arrumar uma empregada realmente boa, depois que eu receber uma boa grana, depois que eu reformar o apto, depois que eu perder uns 6Kg, depois, depois, depois… sempre depois! Mas espero realmente que tudo isso aconteça. Espero também que a minha inquietação pare. É. Se vá. Sem tormenta. Porque já tenho tormentas demais na minha cabeça. E sei que tudo isso continua. Que as coisas sempre acontecem e que nossas vidas não estão sempre no eixo. Ainda vou dar volta e voltas ao meu redor, apagar vários incêncios que eu mesma causo. No fim de tudo isso, ele me encara com aquela calma oceânica e sei que vou dormir em paz.
Relacionamentos naufragados são como domingos de chuva: sabemos que não servem pra nada, mas insistimos que podem ser úteis pra alguma coisa. E aí, depois de reembarcar na canoa furada, arrumamos mais argumentos para sustentar as lamentações sobre o quão infelizes somos nós. Mas esquecemos que fomos (re)conquistados porque teimamos em ter fé em coisas que não dependem de fé, acreditamos que o que era ruim até um segundo atrás poderia ter se tornado perfeito e reluzente. Fomos seduzidos pelo que quisemos ver e não pelo que estava, de fato, na nossa frente; nos agoniamos por não ter respostas pras nossas dúvidas e projetamos todas as soluções na “presença curadora” do outro. Tudo isso porque não fomos “curados”.
Mas elas não vêm. E a mágoa volta. Dobrada. Chorosos, putos da vida, pedimos ao céu uma explicação razoável para o bis do sofrimento. Tentamos nos consolar em ombros de amigos, livros de auto-ajuda, sexo fácil, mas a explicação teima em não vir. Não adianta procurar debaixo do sofá, porque ela está estampada na sua testa: você sofre porque é uma besta. É… todo mundo passa por isso.
A experiência vivida com aquela pessoa “magnânima” nos deu avisos suficientes de que a relação, se fosse um sapato, não era do tamanho do nosso pé: ou vai nos dar calo (de novo) ou cair no meio da rua. Vimos com nossos próprios olhos todos os problemas; os gritos das brigas arranharam a garganta e mesmo assim lá estamos nós insistindo em dar murro em ponta de faca. Tentando desesperadamente acreditar que dois monólogos podem fazer um diálogo – feliz e agradável, além de tudo. Mas a única coisa que conseguimos são mais calos, ainda mais doídos, que machucam ainda mais. O sapo é sapo, e só, enterre as ilusões. Não estou dizendo que existam pessoas ruins. De forma alguma. Apenas ruins pra você.
O fato é que, por comodismo, nos acostumamos até com a infelicidade de um relacionamento capenga. O temor diante do novo nos priva da grande alegria de descobrir que o mundo é maior que a nossa dor-de-cotovelo, que o cheiro ou os traços do(a) ex. Esse temor da rejeição, da exposição, da falta de controle perante o que não conhecemos é o que de mais castrador podemos fazer a nós mesmos. “Tá ruim, mas todo mundo tem problemas, não é?”, como se isso fosse desculpa. Quer dizer que você vai comer cocô só porque 1 bilhão de moscas comem? Se os outros são sentimentalmente miseráveis, azar o deles! Não cabe a você solucionar a vida alheia.
Ansiar por um momento que nunca se repetirá é apenas o outro lado de ansiar por um momento que passou pra sempre. O passado só é lindo porque já foi. Não adianta tentar reproduzir as cores dele no presente porque o tom nunca será o mesmo. Nem você. Nem o outro. Nem o que os cerca. Esse presente (re)fantasiado, por melhor que seja, nunca se igualará às suas expectativas ou lembranças. E acabará, fatalmente, em decepção.
Quer saber? Levante a âncora. Porque quem anda olhando pra trás acaba tropeçando – e, pior, perdendo toda a paisagem. Cabeça erguida. Olhe pra frente. deixe o passado lá… na lembrança… ou enterre!!! Viva o hoje. O agora. O presente. Seja feliz. Eu sou.
Todos nós temos dias e dias. Dias bons e alegres, dias ruins, dias tristes, dias que nem sabemos classificar direito. Hoje o dia tá estranho, dia ruim, cinza! Nada de grave aconteceu, pelo menos com a minha pessoa… mas acho que a esperança se esqueceu de acordar comigo. É, as vezes ela esquece mesmo. Vai ver estava ocupada quando levantei hoje cedo.Ligo a TV e é tanta ignorância, injustiça, tantos dramas diferentes, tanta coisa triste, violência… que o meu vira quase piada! Quase. Às vezes tenho a sensação de que o mal vai vencer o bem. Como pode? E a nossa esperança? Ela se esqueceu de mim hoje. E os outros dias? Dá vontade de chorar. A dor toma conta do peito… e com o peito cheio vem mesmo o choro. Mas que coisa!!!
Junto com o choro vem a decepção. Isso é um troço difícil de lidar, como pode o ser humano ser então é indigesto? É essa a minha impressão quando assisto aos noticiários e vejo tanta coisa ruim acontendo. O amor e a união tem que ser maior que a ira, que a inveja, que o ódio. Mas no reino do Brasil, a impunidade domina e a justiça tarda e por aqui costuma falhar.
Eu ia vestir preto hoje. Desisti. Hoje é segunda-feira. Vesti branco pros meus orixás… eita! Ó a esperança acordando!!!!
Voltei de uma conversa com um amigo e um pensamento não saia da minha cabeça. Vivemos num mundo regido pela mentira, que é um elemento dominante do caráter humano, seja qual for a raça ou o credo. Qualquer um que afirme o contrário, prefere mais uma mentira. Eu já estava catando o email do Bin Laden para propor o fim do mundo quando o telefone vermelho tocou.
- Mocinha, o que você tem na cabeça?
- Ai, Nelson… o que foi que eu fiz dessa vez?
- Que história é essa de bomba atômica para acabar o mundo por conta de paranóias suas?
- Paranóia? O mundo tá perdido, caro Nelson. Vivemos uma eterna mentira.
- Minha cara, o homem é obrigado a mentir porque vive num mundo regido pela mentira. Sabemos que não deveríamos mentir, pois internamente sobrevive no indivíduo uma reminiscência de pureza e consciência. A mentira atenta gravemente as formas-pensamento, do nosso corpo astral e mental, além de deformar a personalidade.
- Você me diz isso tudo e não quer que eu fique deprimida e queira um mundo melhor, Nelson?
- Acorde, Mocinha. Só o tempo poderá corrigir o efeito da mentira que provoca no homem o retroceder, atrapalhando seu caminho evolutivo, acentuando o desequilíbrio nos corpos sutis. Receamos ser enganados e a mentira pode ser um recurso para mostrar que tememos nossa potencialidade superior.
- Já entendi então. Quando a mentira torna-se uma defesa, a conseqüência é o tédio ou angústia.
- Tá aprendendo as coisas mais rapidamente, hein? Não deixe se abater pelo tédio, nem sofra por motivos fúteis. Use o raciocínio. O tédio é uma forma de possessão do demônio chamado “burrice”. Lute contra o tédio! Ninguém conseguiu defini-lo. Alguns acham que é um aborrecimento; outros, um mal-estar ou cansaço puro, simplesmente. O certo é que a doença dos inertes só ataca quem não tem disposição para nada. Mas, lembre-se que sua alma transborda de proteção!
- Acho que quem me protege aqui é você. Quer dizer que o tédio é a perda da potencialidade criativa da alma, da capacidade de sonhar, lutar ou de ter bons pensamentos?
- Você tá inspirada hoje ou o que? É isso mesmo. Suba a escada que existe na mente e atinja o céu! Para os entediados, nada vale a pena. E para você?
- Será que eu preciso responder depois dessa conversa de hoje?! Obrigada por hoje e por outros dias.
- Mocinha, comporte-se.
Aprendi que se aprende errando. Que crescer não significa fazer aniversário. Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem. Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro. Que amigos a gente conquista mostrando o que somos. Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim. Que a maldade se esconde atrás de uma bela face. Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela. Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada. Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida. Que amar significa se dar por inteiro. Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos. Que se pode conversar com estrelas. Que se pode confessar com a Lua. Que se pode viajar além do infinito. Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde. Que dar um carinho também faz…
Que sonhar é preciso. Que se deve ser criança a vida toda. Que nosso ser é livre. Que Deus não proíbe nada em nome do amor. Que o julgamento alheio não é importante. Que o que realmente importa é a Paz Interior. E finalmente, aprendi que não se precisa morrer, para se aprender a viver…
Me acham uma pessoa triste. Eu não me acho. Eu estou uma pessoa mais seca, mais ríspida, mais amadurecida. Moro longe da família, tenho poucos amigos e esses poucos amigos deixei na minha cidade. Tenho uma filha linda e um marido super amoroso. Amo muito os dois. Eles são a minha família e minha felicidade.
Uma pessoa triste, tende a se isolar. Eu não. Estou mais reclusa, sim. Mas porque agora tô véia e cansada. Risos. Criança cansa!!! E o tempo que me resta é para ficar com a família mesmo. Já corro tanto aqui nessa cidade louca que é São Paulo que acho que o tempo aqui passa mais rápido que em qualquer outro lugar. Que coisa maluca, né? Mas eu acho!!!
Você acha a minha vida medíocre? Sei que a vida que tenho levado faz minha mente adormecer, como que num coma parcial. Está tudo ali, em algum lugar, mas não consigo encontrar quase nada. Eu nunca me contentei com nada. De certa forma, essa constante vontade de tudo era motivo de orgulho. Até o instante que vi que algumas coisas simplesmente não valem a pena. E é justamente nessa hora que o telefone vermelho toca. Sim, Nelson Rodrigues não vai me deixar falando dessas coisas sozinha!!!
- Alô?!
- Como vai, mocinha?
- Parcialmente em coma.
- Por que? O que aconteceu dessa vez?
- E precisa acontecer alguma coisa? Basta eu ficar pensando por cinco minutos…
- Você está apaixonada ou deixou alguém sair de sua vida de repente?
- Eu só tenho essas duas opções?! Tem alguma pergunta mais fácil?
- Minha querida, você está doente. A paixão nos contamina com uma incurável visão seletiva e nos torna patéticos e miseravelmente felizes. Mas, como toda doença, um dia acaba. Ao acordarmos entre os sobreviventes, nos rastejamos rumo à saída e quando algo bom acontece, insiste em ser sutil. Cansados, só conseguimos mais motivos para lastimar a súbita ruína da felicidade eterna.
- Não estou lastimando nada, Nelson. Eu não sou nada, não quero ser nada.
- Mas você tem aí dentro desse coraçãozinho todo o sentimento do mundo. A paixão é um processo, não uma solução. Contrariando o fim do mundo pessoal, e sem notarmos, o tempo vai deixando essas sensações mais e mais dispersas. E num dia qualquer, desaparecem. Ficamos curados. Tocamos a vida, rimos do que passamos e prometemos não mais nos apaixonar.
- Isso eu já sei… essa promessa não é cumprida, e a sensação de ser atropelado por um caminhão se repete…
- Tá aprendendo rápido, hein, mocinha?
- Pois é… mas alguém nos faz o favor de dizer para deixar de lado a crença infantilóide de que a felicidade será entregue na porta de nossa casa por alguém lindo, charmoso, inteligente e bem-humorado… e ele nunca virá porque não existe!
- O que é isso? Não me desaponte! Não há certo ou errado… só as conseqüências dos nossos atos. E a paixão vai bater à sua porta quando você menos esperar. Quer ter paciência, menina? Quantas vezes erramos por achar que esperar era estupidez?
- Eu sou assim… impulsiva! E acabo confundindo paciência com covardia.
- Já sabe a diferença entre as duas… e paciência é a maior das virtudes!
- Obrigada, Nelson. Eu vou desligar porque acho que fui contaminada pela sua dramaticidade… e no mundo moderno, não posso ser assim sempre.
- Mundo moderno!!! Menina, a paixão não muda com o passar dos anos. Estamos sempre esperando um ataque de adolescência tardia…
- Vamos deixar esse papo para uma outra hora?
- Vai, vai menina.
Acho que a resposta é essa: não sou infeliz. Eu sou apaixonada!!!